Wednesday, August 20, 2014

Life must go on


Muita água rolou desde que começamos a tentar engravidar. Ao mesmo tempo que continuávamos na missao "conceber au naturel" também fomos procurar a ajuda de médicos.

A Inglaterra tem um sistema nacional de saúde gratuito e foi através dele que começamos a fazer testes e mais testes pra ver o que estava acontecendo. Por um lado e' sensacional saber que não tivemos que tirar um centavo do bolso pra cobrir esses exames. Por outro, pagamos o preço do tempo que tivemos que esperamos pra sermos atendidos e os resultados revisados. 

Foram 2 anos de exames, operações (pra checar que tudo estava onde devia no útero e arredores) e consultas médicas. No meio tempo mais e mais amigas apareciam grávidas; era uma felicidade saber que elas tinham conseguido. E como não ficar emocionada com esses seres tão pequenininhos que as vezes são a cara cuspida e escarrada dos pais? :)

Mas a pergunta que continuava rondando era por que não estávamos conseguindo? Será que tínhamos feito algo muito ruim em nossas vidas anteriores e não conceber era o preço a pagar?

O resultado de todos os testes, exames e operações mostrou que não tínhamos nenhum problema. Será que ter um problema era melhor do que não ter nenhum, pois assim pelo menos os médicos poderiam focar no que não estava funcionando? Não sei. Depois de tanto tempo nessa jornada, o sentimento de confusão deixa o pensamento meio nublado. 

E, claro, meu relógio da idade continuava se movimentando pra frente como esperado... Mais uma coisa pra aumentar o nível de preocupação. 

Mas como tenho fé no meu signo de Sagitário, cada vez que eu caia, eu também achava forças pra me levantar. Já que estava tudo ok com o corpo decidi que era hora de trabalhar a mente. Ela controla tanto o que pensamos quanto o que não pensamos e achamos que não estamos pensando, mas estamos pensando. Afinal, quantas histórias eu já não tinha ouvido de mulheres que tentavam por anos e quando desistiam ou adotavam ficavam grávidas??

Eu já tinha tentado hipnose antes por razões diferentes. Dessa vez fiz pra me ajudar a aceitar a situação na qual estávamos e criar perspectiva de que a vida tem que continuar; não da pra ficar nessa masturbação mental o tempo todo, pois com certeza ia (e provavelmente ja estava) afetando todas as áreas da minha vida. 

Mudei minha dieta, parei de beber, continuei a exercitar e rezei para que seja lá o que tivesse que acontecer, que continuássemos fortes e achássemos felicidade. 

Crédito: http://inspiredleogoddess.ca/blog/2013/01/

Wednesday, May 21, 2014

Relaxa ai que eu to tentando...



Passei a minha juventude inteira fugindo do fantasma de ficar gravida "sem querer". Nao era so' o fato que eu nao conseguia me imaginar dizendo pra minha familia: "Ops, aconteceu..." Era porque eu tinha ambicoes de viajar, trabalhar, viver e um bebezinho, por mais gordinho e sedutor que fosse, ia me forcar a ficar em casa trocando fralda e colocar todos meus sonhos em alguma gaveta do armario e esquecer deles pelos proximos 15 anos.

Tenho amigas que passaram por isso e eu via como era dificil; depois da aula a turma ia zoar na praia ou sei la, fazer algo banal, como tomar sorvete na esquina. Mas pra elas (sim, geralmente elas porque o pai da crianca nao estava em nenhum lugar a vista pra ajudar), a vida era voltar pra casa pra dar mamadeira. Gurias, voces tem minha admiracao; ser mae tao nova requer uma forca interna que eu nao tinha.

Por isso, depois de anos tomando pilula, fazer sexo sem nenhum tipo de precaucao, com a intencao de engravidar, foi algo sensacional. Me senti a mais safadinhinha da classe, aquela escondendo um segredo monumental de todos. Claro, era assim dentro da minha cabeca; pro resto do mundo eu estava so tentando engravidar, como acontece daqui ate a China.

Eu tinha certeza que ia acontecer no 1o mes. Claro, afinal, depois de tentar evitar por tantos anos, nao tinha como nao acontecer de primeirona. Fizemos o que tinhamos que fazer na hora exata do mes e depois de 2 semanas esperando, comprei o palitinho de teste. Em 5 minutos veio um resultado negativo. Nevermind, vai ser no 2o mes entao. Mas, mais uma vez, o resultado veio negativo. E o ciclo comecou a se repetir nos meses seguintes. Seis meses depois de termos comecado a tentar, quando todos os nossos amigos que estavam tentando ao mesmo que a gente, ja estava gravidos, nos comecamos a pensar que talvez algo tivesse errado.

Sera que estavamos fazendo algo errado? Sera que estavamos fazendo sexo diferente do resto do mundo?? Fui pra internet checar. Nao, o sexo estava certo. O dia do mes talvez nao fosse 100% correto ou a posicao poderia ser diferente ou a minha dieta poderia ser melhor. Mas o basico da coisa tava nos trinques.

E assim, a cada mes comecamos a tentar algo diferente. Fui ver uma nutricionista especializada em gravidez. Comecei a tomar uma vitaminas com pozinhos especiais pra fornecer proteina pro meu corpo. Tentamos posicoes diferentes em lugares diferentes (essa parte nao foi tao ruim assim). Compramos uma maquininha pra medir os meus hormonios atraves de fazer xixi num palitinho (tive que fazer tanto, que hoje sou craque na mira). Com essa informacao saberiamos exatamente quando eu estaria ovulando. Agora, vai ne, pensei. Mas nao. No final do mes o palitinho do teste veio, mais uma vez, negativo.

A euforia do inicio deu lugar a preocupacao. Sera que tinha algo errado com a gente? Por ter sido tao Caxias quando jovem, o simples pensamento que algo poderia nao dar certo quando eu comecasse a tentar, nunca tinha passado pela minha cabeca. Fomos ao medico. E esse foi o comeco de uma longa historia.

Credito da Imagem: Keepcalm-o-matic

Wednesday, January 01, 2014

Ding dong the bell of hell


Absoluto silêncio. Até o aquecedor do outro lado da sala, que tem mania de fazer som de gargalho, estava quieto. A luz vermelha apontada para os meus pés traz um calor necessário. Afinal apesar do aquecedor ligado, está 3 graus lá fora. 

São mais ou menos 20 agulhas. Uma no topo da cabeça, outro no meio da sobrancelha, algumas na barriga, em ambos os braços, pernas e a minha mais horrível de todas, aquela que está entre os dedos do pé. Como dói. Mas hoje o ponto do estômago - lado direito da perna direita - esta doendo também. "Problemas com a sua digestão", explicou a acupunturista. 

Não tenho dor de estômago nem nada, mas minha língua tem umas dobrinhas nas laterais e num e' vermelhinha como as pessoas que aparecem em filme. Elas sempre tem as línguas tão vermelhas como a maçã da Branca de Neve. Tai, esse assunto sempre me tirou do sério. Quando era criança, cada vez que eu comia uma maçã e via que o interior era amarelo, em vez de branco, como na maçã da Branca, eu ficava desapontada. Com relação a língua, as saudáveis devem ser mais vermelha e menos dobradinha do que como a minha.

São 40 minutos de agulhas e pra passar o tempo eu foco no ponto entre as sobrancelhas e repito o mantra que aquele professor indiano de meditação me passou quando fui a Índia em 2009. E' um dos únicos momentos onde a cabeça realmente relaxa sem precisar pensar em responder email, ligar pra Fulano ou tomar alguma decisão. 

A acupunturista entra na sala após 20 minutos pra checar se estou bem e mudar a luz dos pés pra barriga. Ela sai da sala e fecho os olhos; 20 minutos de paz. 

Ding dong ding ding dong dong....

WTF?!? Que isso! Relaxei tanto que os anjos resolveram aparecer pra me salutar?? Demorei pra entender que era o alarme do meu telefone. Agora, como pode um telefone desligado ter a ousadia de tocar um alarme? Tento relaxar. Fechar os olhos, visualizar uma cachoeira, água correndo, paz na terra... Mas aquele barulho de sino tocando entra sem perdão em cada visualização que eu tento fazer. 

Abro os olhos. To tensa. Não acredito que to pagando pra ficar tensa. Sintonizo meu ouvidos na sala ao lado onde a acupunturista esta. Talvez ela ouça o barulho dos anjos e seus sinos e venha ver o que está acontecendo. Espero. Conto até 60. 1 minutos e nada. Nem um peido de pato sai da sala ao lado. Vai ver que ela está fazendo as unhas.

Meu sangue está circulando em velocidade de Fórmula 1. Meu rosto sara vermelho de raiva. E a droga dos sinos continua tocando. Penso em gritar o nome da acupunturista. Mas nessa área tem outras terapeutas e seus pacientes. Nem anjos tocando sino e' motivo suficiente pra ser egoísta e deixar todo mundo sentindo a mesma frustração que eu.

Penso em levantar. Mas o simples movimento das minhas pernas cheia de agulhas faz tudo doer. Volta a deitar. Fecho os olhos, tento relaxar. Será que esse alarme para depois de 5 minutos? Com certeza mais que 5 minutos já se passaram.

Vou ter que levantar. Não tem jeito. Devagarinho, como se eu fosse feita de açúcar e brincando pertinho de uma fonte de água, eu começo a levantar. Primeiro uso meus braços como suporte. Levanto a cabeça e torso. Com metade do corpo fora da cama, meus olhos vêem o mar de agulhas espalhadas pelo resto do meu corpo e eu lembro que eu não gosto de agulhas; só aceito fazer acupuntura porque não preciso vê-las. Well, até agora. 

Ding dong dong ding ding.... Os anjos do inferno me fazem lembrar que não é' hora de deixar a pressão baixar por causa das agulhas e desmaiar. Não quero nem pensar nas manchetes do jornal. "Agulhas de acupuntura transformam mulher em picanha no espeto". Genial...

Levanto um perna e tudo dói. Claro, ela coloca as agulhas tão fundo na pele que não me surpreenderia se elas saíssem do outro lado do meu corpo. Levanto a outra perna e estou em pé. Agora eu espero que a acupunturista não resolva entrar aqui. Vai ser um saco ter que explicar essa situação. Principalmente porque ela me pediu pra desligar o telefone no início da consulta. "Você precisa de um momento pra você", ela disse. Bom, eu estou tendo um momento pra mim. Não exatamente o que ela ou eu tínhamos em mente, mas mesmo assim e' um momento só pra mim. Apesar de estar parecendo o Pinhead do Renascido do Inferno de calcinha e sutiã.

Ando devagarinho até a mesa onde está o telefone e levanto o braço esquerdo, mas a agulha entre o indicador e o dedão prende meu movimento e tenho que usar a mão direita.

Swipe. Silêncio. Respiro fundo e me sinto calma novamente. Que provação foi essa. Lembro que ainda não acabou pois ainda tenho que voltar pra cama. Me viro em direção a cama. Ando com as pernas abertas, como se tivesse assadura no meio das coxas pois assim as agulhas doem menos. Me sinto um cowboy num filme de comédia. Penso em fazer armas com meus dedos, mas as agulhas não deixam. Agora, como faço pra subir na cama. Não tinha me tocado que ela alta quando desci. A única forma e' dar um pulo com o bumbum em direção a cama e esperar que de certo. Um, dois, três, pulo. Tudo dói, claro, mas pelo menos agora estou sentada na cama. Levanto um perna, depois a outra, uso os braços como suporte, exatamente como fiz antes, e deito. Ah finalmente, paz. 

Ouço um barulho e a acupunturista entra na sala como se o mundo fosse rosa e tudo estivesse coberto em arco-íris. Abro meus olhos, sem acreditar que 20 minutos se passaram. Pra 2014 eu me desejo mais sorte e muito bom humor quando ela faltar!

Ps. Hoje de manhã comecei a brincar com a comida, crianças não leiam isso, e fiz uma cara com os ingredientes no meu prato e batizei a criação de Button Mushroom. Sim eu sei, não muito adulto e tal, mas uma das minhas decisões pra esse ano e' tentar levar menos coisas da vida a sério. E a sorrir mais. :)



Credito da Ilustracao: Pics & Photos

Thursday, November 14, 2013

Todo mundo junto agora


Entao, hoje eu fui tirar sangue. Detesto. Quando a agulha esta para entrar na veia, viro o rosto, olho pro lado, pra cima, tudo para me retirar mentalmente da situacao.

Ai, enquanto a moca estava fazendo os preparativos da agulha, com o tubo, colocando a amarra no braco pra segurar o sangue e deixar a veia gordinha, ela me perguntou de onde eu era.
- Sou do Brasil.
- Ah, que lindo - ela disse.
- E voce? - perguntei.
- Sou das Filipinas...
- Ai puxa, sinto muito... Sua familia esta bem...?
- Sim estao todos bem. Ele moram numa provincia tambem, mas esta todo mundo bem...
- A gente tem visto as imagens na TV, puxa sinto muito mesmo. Mas todo mundo tem doado para ajudar. Nos doamos tambem...
- Obrigada, hoje de manha mesmo eu fiquei emocionada de ver na televisao como os ingleses estao ajudando, doando, mandando mantimentos e remedios.

Aaahhhh... e eu me peguei dizendo uma mentira. Ate senti meu nariz crescer. Mas eu nao sabia mais o que dizer pra moca e queria de alguma forma conforta-la.

Tem dias que estou para fazer uma doacao. Mas com as desculpas magras do dia a dia, eu nao fiz. Claro, quando a pimenta nao esta no seus olhos, nao doi. Menti porque eu sabia que quando chegasse em casa eu poderia fazer uma doacao.

E foi exatamente o que acabei de fazer. Fui no site da ActionAid, a instituicao de caridade que decidi ajuda tem mais de 5 anos, e doei. Menti, mas no fundo foi bom, me fez parar com a procrastinação.

Credito da imagem: Sripha da Tailandia para a National Geographic Kids.

Thursday, November 07, 2013

Vamos imprimir um novo mundo la fora em 3D (de verdade!)



Outro dia fui na TKMaxx, que vende roupas de marca por precos mais baratos. Entrei como nao queria nada e depois de revirar araras e mais araras de roupas, achei um casaco liiiiiindo da Michael Kors. E melhor ainda, £60 (preco original £200). Experimentei mas estava grande demais. Nem se usasse o cinto dava pra disfarçar. :(

Continue procurando e achei escondidinho entre um casaco da Jean Paul Gaultier e um da Miu Miu, um outro casaco ainda mais liiiiindo, tambem da Michael Kors. Dessa vez do tamanho certo, hurray, mas custando £500 (em vez de £1000). Nao da, ne? Se existisse uma maquina de misturas, eu adoraria o segundo casado com o preco do primeiro, por favor.

Nao tem coisa mais chata do que entrar numa loja, ver uma peca de roupa ou sapato ou oculos que voce gosta, procurar seu tamanho e nao achar. Mas isso vai mudar.

Tem um tempo que ja estou sacando a chegada das impressoras 3D. Elas comecaram imprindo coisas banais como cubos, bolas, formatos de cabeca e mini-esculturas. Mas como qualquer tecnologia, ja passamos para a fase de imprimir coisas maiores e mais funcionais, como 1 carro, roupas, sapato e comida (criado por uma brasileira!).

Lembra do celular dos anos 80? Ou era atachado ao seu carro e feio. Ou era gigantesco (mais ou menos do tamanho de 1 tijolo) e mais feio ainda. Ai com o tempo a tecnologia (as partes que compoem o aparelho) ficaram menores e foi possivel concentrar na funcionalidade da coisa. Tai o iPhone pra provar a teoria.

Agora imagina ai querer comprar um sapato, mandar via website ou app, suas medidas e receber em casa algo perfeito para o seu pe. Os caras da Shapeways ja comecaram a vender frame de oculos feitos em 3D, que encaixam perfeitamente no seu rosto. Fim daquela historia de estar perfeito em volta do nariz, mas apertado atras da orelha. E tem aquele biquini impresso em 3D da Cotinuum. Nao e' bonito e ainda tem muito chao pela frente pra trazer cores, estampas e estilos mais sexys. Mas tem que se comecar de algum lugar!

Hoje comeca em Londres o 3D Printshow. O slogan dos caras e' The internet changed the world in the 1990's. The world is about to change again. Sou totalmente contra hype (vamos fazer algo porque ta todo mundo fazendo), mas juro que concordo com eles. Imprimir em 3D vai mudar nossa vida em varios sentidos.

Sabe aquele dilema, o que eu posso comer hoje, sem sair da dieta? Pois e', com uma impressora 3D de comida em casa, ela vai produzir, pro seu corpo, sabendo da sua dieta e especificacoes, o que e' melhor para voce naquele dia. E da proxima vez que eu for a TKMaxx do futuro, em vez de sair chateada e de maos vazias, vou imprimir o casaco da Michael Kors que eu gostei, no meu tamanho e pelo preco que posso pagar.

Credito da ilustracao: Dionne Gain para esse artigo sobre impressoras 3D.

Wednesday, November 06, 2013

Uma acao para o futuro


Acho que foi num sabado a tarde. Ainda era primavera e dava para velejar de camisa e short. Eramos 3 no barco. E junto com os outros formavamos uma mini-flotilha em direcao ao pub. Sim, final de tarde, com por-do-sol, depois de um dia de treinamento em como navegar no Tamisa, nos sentimos no direito de festejar.

Saimos do pier e nem 10 segundos tinham se passado quando o skipper, que estava comandando as velas do barco, comecou a fazer uns barulhos estranhos. Virei na direcao dele pra perguntar o que estava acontecendo.
- Nada. Estou bem - ele respondeu seco.

Era meio obvio que ele nao estava bem. Antes de embarcarmos, eu tinha notado que ele estava suando muito e vermelho como lagosta cozida. Estava quente, e' verdade, mas nao tao quente para causar aquela reacao. Acho tambem que ele estava usando muitas roupas (um costume de naylon, dos pes ao pescoco), enquanto que eu estava de short e camiseta; e olha que sou sempre a friorenta. Anyway, nao cabia a mim comentar na indumentaria do rapaz. Afinal eu tinha acabado de conhece-lo e ele estava me fazendo um favor, dando uma carona sob as aguas ate o pub, de onde eu poderia entao andar ate em casa.

Ele continuava a tentar respirar sem conseguir, suava como uma bica aberta, e se movia no assento do barco desconfortavelmente. A francesa sentada na frente do barco ofereceu pra tomar as redeas do barco.
- Nao. To bem.

Se fosse crianca, voce pegava-a por debaixo dos bracos, mesmo se estivesse esperneando, e pronto. Mas com um cara com seus la, sei la, 40 e poucos anos nao da para fazer isso. Entao continuamos assim ate chegar ao pub. O que aconteceu depois foi muito estranho e inesperado.

Fomos tomar uns drinks e na saida vi que o cara estava dentro de uma ambulancia, respirando em um daqueles aparelhos de oxigenio. Pra ser sincera, eu achei que ele estava tendo um ataque de asma, mas estava com vergonha de admitir.

Nao pensei mais nada do assunto ate o dia seguinte, quando recebemos um email do club dizendo que o cara tinha morrido. Serio, eu quase cai da cadeira. A historia e' complicada. Os medicos da ambulancia disseram que ele estava com um disco da coluna fora do lugar. Os medicos que realizaram a autopsia disseram que ele tinha tido um ataque do coracao.

Sabe, eu ja passei por umas situacoes muito estranhas na minha vida. Mas nada como ter uma pessoa na sua frente tendo um ataque do coracao e voce nao conseguir identificar e ajudar. Nao teve nada daquela historia de dor no braco que a gente ve nos filmes. Ele estava com dor nas costas. Sim, ele nao conseguia respirar e estava vermelho e suando. Mas dai pra fazer um diagnostico de ataque do coracao era um salto grande.

Fiquei sentada em cima desse assunto por algumas semanas. Me senti mal por nao ter conseguido ajudar o cara. Na realidade, eu nao saberia o que fazer. O que voce faz quando ve alguem tendo um ataque, dentro de um barco??

Quando me senti preparada, fui procurar ajuda na Internet. Achei um curso de primeiros socorros dado pela St John's Ambulance e patrocinado pela British Heart Foundation.

Ontem a noite aprendi o que fazer se alguem esta tendo um ataque do coracao, se esta inconsciente, respirando (ou nao). Foram 2 horas e sei que nao e' o assunto mais feliz do mundo, mas e' importante porque caso uma situacao como a do barco aconteca de novo, eu estarei preparada para ajudar. E se Deus quiser, salvar uma vida.

Credito da imagem: The Snuggle Sandwich, ilustrado por Gwen Millward e publicado pela Andersen Press.

Monday, July 08, 2013

Por um mundo melhor (dentro da minha cabeca)



A feira acontece as quintas e domingos. Para o visitante, existem 3 entradas. Via secao das roupas. Pela area das bugigangas pra casa. Ou pela do moco que vende melao. Essa tem um cheiro inigualavel.

Vir cedo e' garantia de lugar para estacionar, sol menos macarico e de uma feira relativamente vazia. As 10 comeca a encher, o sol a torrar e parar em qualquer lugar vira uma tensao. As 11 e' como estar no forno da sua casa, mas cercado de frutas e legumes; uma coisa muito estranha; se voce conseguir achar vaga antes, claro. Se nao, voce corre o risco de torrar dentro do carro mesmo.

Mas tirando tudo isso, fazer comprar na feira de rua dessa cidadezinha minuscula no sul da Franca e' algo que eu adoro. Nao tem nada mais fascinante nessa situacao que apreciar com gosto a organizacao perfeita de todos os vegetais e legumes de cada barraca. Eles realmente vendem com os olhos.

Mas esse post nao era sobre a feira. Era sobre um homem que ajoelhado em cima da sua bolsa vazia dizia que estava desempregado e com fome. Ele estava la, tando na feira da 5a quanto na do domingo. Ajoelhado em lugares diferentes, mas com a mesma placa escrita num pedaco de papelao. Ele nao tinha nenhuma deficiencia (visivel) e era ate bonito. Fiquei sem saber o que fazer. Ajudo ou sera que ele e' um vagabundo se aproveitando da caridade alheia? Nao ajudei. Mas fiquei com a cena na cabeca.

No dia seguinte estavamos nos arrumando pra voltar pra Londres e como parte do ritual temos que fechar a casa e jogar o que nao foi consumido fora. Sobrou pouco, mas cada coisa que jogamos fora me fez lembrar do homem de joelhos na feira.

Num mundo imaginario, que so existe dentro da minha cabeca, em vez de dar comida eu o teria oferecido um emprego. Sempre que vejo alguem mendigando, mesmo em Londres, desejo que algum dia eu possa me aproximar e dizer "Tenho um emprego pra voce, interessado/a?" e mudar a vida daquela pessoa para sempre.

Monday, May 20, 2013

O poder de um segredo


Sabe quando uma historia fica morando na sua cabeca sem contexto. Voce lembra dela de vez em quando, mas sem saber muito bem quando, como ou por que ela foi parar ali? Na verdade, era mais uma confissao do que uma historia. E nao, nao era minha. Eu tinha lido ela (lido-a?) em algum lugar.

Seguia mais ou menos assim: "Meu pai um dia foi procurar por um relogio no armario. Nao conseguiu acha-lo e num impulso de raiva demitiu a empregada, que trabalhava pra gente ha mais de 15 anos. Ela saiu chorando e dizendo que nunca faria uma coisa dessas. Meses depois meu pai achou o relogio que ele tinha deixado dentro do bolso de uma jaqueta e se esquecido. Nunca pedimos desculpa pra empregada".

Ontem essa confissao, depois de uns 10 anos morando na minha cabeca, ganhou sentido novamente.

Na revista Style do Sunday Times Magazine trouxe uma materia sobre o PostSecret.com O site comecou como um projeto de artes em Maryland, USA, e convidava pessoas a enviar seus segredos. A iniciativa virou fenomeno mundial e tem ate pagina no Facebook. Diariamente ele recebe postcards de todas as partes do mundo com os segredos mais inesperados.

E com a palavra Frank Warren, o criador do site e guardiao dos segredos:

Credito da ilustracao: Kurst Halsey

Friday, May 17, 2013

A fabula da cueca furada


E' 6a de manha e estou na cama me dando ao luxo de tirar um cochilo mais longo. Aqueles 5 minutos que acabam virando 15. Ao meu lado, minha fiel companheira de cochilos, Emie, nossa gata.

No andar de baixo vem o barulho do marido que hoje nao pode cochilar e tem que sair em 30 minutos sendo que ele ainda esta no banho. Que e' mesmo a mulherzinha dessa relacao?! Provavelmente a Emie.

E la vem marido com toalha na cintura, pronto pra se arrumar. Lindo e cheiroso ele coloca uma cueca. E abre a caixinha de surpresas.
- Olha, tem um furo! - diz ele sorrindo. E tinha mesmo. Mas nao era o tipo de furo que conserta com agulha. Era um furo do tamanho da minha mao. Quando aberta!
- Fala serio que voce vai pro trabalho assim.
- Vou. E bom pra ventilacao. E nao aperta.
- Ta de sacanagem... voce nao fica com vergonha??
- Nao tem ninguem vendo.
- Eu estou vendo!!!
- Ah mas voce nao conta... - Como assim eu nao conto, pensei!?
- Deixa de bobeira e vai la pegar uma cueca sem furo.
- Nao tenho.
- Por que tao sujas?
- Nao. Por que das 10 cuecas que tenho 8 estao furadas e as duas que nao tem furo estao secando.
- WTF??? A situacao financeira aqui em casa ta tao ruim assim que nao podemos comprar cuecas novas pra voce, marido??

Foi so ele sair que joguei todas as furadinhas no lixo. Vamos ao shopping amanha, pois marido meu nao usa cueca furada. A nao ser que seja pelas minhas costas...

Cueca furada a parte, essa cena de hoje me faz pensar que homem, alem de nao se importar em usar cueca furada, faz a mesma coisa com a saude. Comeca a sentir um negocinho aqui, mas ignora. Provavelmente porque nao tem "ninguem vendo". Ai o negocinho vira um negocao ao ponto que nao da mais para curar. Homens do mundo, nao tratem da sua saude como uma cueca furada.

Credito da imagem: Funny Cat Site

Sunday, April 28, 2013

Como dizer nao ao ♥?

Fui a um casamento em Barcelona. O dia estava lindo e a cerimonia aconteceu no cartorio local, perto do mar, com direito a chuva de flores e arroz na saida. Em vez de bolo, tivemos um almoco num bom estilo Espanhol. Foi um dia muito feliz.

Tem um outro casal de amigos que ja sao casados e estao comecando o processo de adocao, pois nao podem ter filhos naturalmente. Tem que ter muita energia, pois lidar com o governo demora. Mas temos fe que vai dar tudo certo.

Agora, me conta uma coisa. Faz alguma diferenca pra voce se eu contasse que os casais acima sao gays?

Pra mim nao faz a minima diferenca. Eles querem, como nos, casar, ter filhos (via adocao ou barriga de aluguel) e ser feliz. Nao entendo como existem pessoas que dizem nao ao amor. Acho que a geracao do meu irmao mais novo (que tem 20 anos) tem razao e pra mostrar ele publicou o texto abaixo no Facebook. Como dar importancia a algo tao sem importancia?

Não sou gay.
Essa não deveria ser a primeira frase desse texto.
Na verdade deveria ser usada somente para negar o amor de alguém que não se encaixa em suas opções, não por ódio, mas por respeito.
Respeito esse ao amor do próximo, amor que foi honestamente direcionado a nós.
Respeito maior que aceitar, respeito de entender, respeito de saber que o que sentimos é de uma pessoa para outra, não de um homem para uma mulher o qual quer que seja o caso.
Tenho problemas com quem diz "tenho orgulho de ser (inserir "minoria")". Na minha opinião é alguém que ainda precisa pensar sobre suas opções e conceitos.
Acredito que as pessoas deveriam ter é respeito, conhecimento e integridade, parar de pensar besteira e se não puder apoiar, fique de fora, ninguém precisa de outros para amar alguém e muito menos ser feliz.
Eu já tenho um amor, mas isso não me da o direito de interferir no dos outros.
Tenho amigos, negros, brancos, asiáticos, homossexuais, heterossexuais, indígenas, mulatos, ruivos, loiros, morenos e das mas diversas características que nossa vida pode trazer.
Também tenho pessoas que não gosto que tem essas características, e qual o problema?
Se não gosto de alguém posso ter X motivos, mas o que importa e se ela me faz bem ou não.
Não fiz isso para defender um amigo, também não para provar que "sou consciente" mas que já cansei de responder a uma pergunta que pra começar não deveria ter importância.

Credito da imagem: Emindeath